miércoles, 14 de septiembre de 2016

Aquarelas de Bárbara Salomé




























Bárbara Salomé é atriz, palhaça e desenhista desde criança. Iniciou mais "seriamente" seu caminho pelas Artes Visuais em 2016. Depois de uma grande viagem, começou a desenhar e a pintar com aquarela freneticamente. Organizou sua primeira exposição informal, intitulada "Depois de Paris". Fez um mural de desenhos para o espetáculo "Me Voy a Saltar sobre tu cuerpo", da Cia. Teatro Enlatado, que ficou em cartaz no Sesc Belenzinho. Além disso, expõe seus trabalhos em feiras de Arte por aí. Gosta de fazer retratos brincando com elementos surreais e deseja que seus desenhos habitem o mundo. Publica seus trabalho no INSTAGRAN @desenhosdesalome






lunes, 12 de septiembre de 2016

Quem está batendo no chão? - de Cristina Santos


(...)
- Eu. Tenho três mil anos e quero contar algumas histórias. Querem que eu conte algumas histórias? Sentem, não tem mais ninguém para chegar, porque só restamos nós três: Eu, Você, e Ela. Eu. Eu ouvi todas as histórias possíveis, antes de Você matar todos os habitantes deste mundo que Ela poderia gerar.


- Você. Eu fiz. Você fez? Sim, eu fiz. Eu peguei a faca e foi tudo tão rápido... enfiei em sua barriga. Foi mais difícil do que aparece nos filmes... houve uma certa resistência para a entrada do objeto. Talvez porque não foi a faca adequada ou talvez porque eu não tenho força o suficiente ou  eu... enfim... eu... Você. mas entrou... e a pessoa ficou tão assustada, foi tão inesperado que não gritou e não reagiu. Estranho, né? Ou gritou e reagiu e eu/Você não ouvi/ouviu e nem percebi? Mas foi tão bom. Foi... tão estranhamente bom que... ah... eu comecei a ficar excitada em ver aquela pessoa caída no chão com o sangue saindo de sua barriga e manchando de maneira tão bonita a sua camiseta branca, que parecia que formava um desenho. eu/Você começou/comecei a ficar tão excitada, eu já falei isso, né? Mas é que foi tão excitante, que senti uma vontade louca de me masturbar e comecei a me tocar lá... fui direto para o meio das minhas pernas... (RESPIRAÇÃO) Nossos olhos estavam hipnotizados... (RESPIRAÇÃO) Você realmente não vai falar nada, não é?  (RESPIRAÇÃO ... ALIVIO) Gozei no momento em que seus olhos pararam de brilhar.    

(...) 


Cristina Santos: paulistana, vegetariana, pisciana com ascendente em libra e lua em escorpião, é atriz, diretora e escritora. Em junho de 2001 formou-se em atuação no Colégio William Shakespeare – Emílio Fontana. Em dezembro de 2015 se formou em dramaturgia pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. E desde janeiro de 2014 integra o Coletivo de Dramaturgia: Malditos Dramaturgos!.

viernes, 2 de septiembre de 2016

invariavelmente é preciso um silêncio longo - Carina Carvalho



invariavelmente é preciso um silêncio longo
como quando está falando alguém que conhece o segredo das plantas
como a atenção fixa num objeto de desejo, numa pessoa do seu desejo
e em quanto importam no início, dela, as dores.
no mais das vezes, a barulheira me dá taquicardia
da mochila pesada, do calor dos trópicos, da rapidez com que correm
as rodas quando se vê algo fora, tão fora do que cabe num poema
que você estende o pescoço aperta os olhos
– aquilo na avenida era uma garagem cheia de melancias?
alguém se atreveu a ver quanto a cor verde ocupava de espaço.
isto é uma chance na tua manhã. uma imagem destoante é um presente.
acalma o sangue agitado que enquanto corre manda recado
de que a matéria é frágil mas não podemos nos lembrar disso sempre.
um pensamento que por estar por um triz te deixa sempre por um triz,
você é coisa delicadíssima. e existe um gatilho.
é coisa mínima, um sinal que te suspende e o tal gatilho te tira…
mas aqui não se sabe falar de mudanças bruscas.
o terror de existir tanto nome na boca é o terror de sonhar que todo mundo te esqueceu
é o terror do teu vinho sozinho no fim da noite pra trazer um sono que teu corpo nu
jamais soube dar (e ouça bem: jamais saberá)
como aliás nada nu existe enquanto haja tanto nome alheio na boca.
eu tenho um sem-número de pessoas sendo provadas nos pontos de sabor da língua
papilas, sei lá. todos os dias.
e aliás gostaria de ter pontos cardeais na língua e no resto do corpo todo
pra ficar bem orientada, resolver uma caralhada de coisas vis,
o dobro disso de um amor sozinho, a falta do toque, administrar as cores das horas,
uma tática efetiva que traga calma, cinco passos na linha reta da leveza
e os rompantes cardíacos dos dias.







Carina Carvalho tem 26 anos e é paulistana. Cursa o mestrado em Estudos Literários na Unifesp. Em 2013, publicou o livro de poesia Marambaia, pela Editora Patuá. Tem poemas em algumas revistas online e antologias impressas. Escreve no blogue clcarina.wordpress.com e prepara agora a Passiflora, plaquete artesanal de poesia cujo lançamento acontece ainda em 2016.

viernes, 26 de agosto de 2016

Lançamento do livro "Meu olho não puxado puxou o lado errado." de Yassu Noguchi



LANÇAMENTO

 Meu olho não puxado puxou o lado errado de Yassu Noguchi

5 de Setembro, segunda-feira, 
às 19h 
Anexo Lounge Bar - Rua do Rezende, 52, Lapa (Rio)







[três poemas do livro:]



                  a cada dia
                  enxergo menos (miopia)
                  e no mesmo a cada dia
                  enxergo longe (utopia) 





                                                                     agora, quando perguntarem minha religião
                                                                     vou dizer:
                                                                     sou poeta




                                       a potência
                                       de uma coisa
                                       está na beleza
                                       da mesma
                                       encontrar
                                       sua sutileza





Yassu Noguchi é produtora cultural, poeta, contista e palindromista. Tem textos publicados nas coletâneas Desnamorados (Empíreo/2014); Clube da Leitura – Volume III  (Oito e Meio/2015); Rio 2065  (Casa da Palavra/2016/organização da FLUPP); e em  ESCRIPTONITA: mitologia-remix & super-heróis de gibi, que será lançada em breve pela Patuá. Lançará em setembro de 2016 seu primeiro livro, Meu olho não puxado puxou o lado errado, de poemas curtos, pela enCaderno.


+ Yassu em:


lunes, 22 de agosto de 2016

três poemas inéditos de Dirceu Villa


le diable jaune, por julia bicalho mendes



ontem

as pessoas de ontem nunca nasceram,
nunca é dia ontem : ontem é uma vala,
um depósito, armazém de ferragens :
as pessoas de ontem comem sorrindo
um sorriso de animais com dor : ontem
tem a indigestão de fotos, de famílias,
de amarelo e de amassado : ontem 
jamais foi o passado, ontem houve
como um sonho contado em pesadelo
e as pessoas de ontem viajam à noite
na mais densa neblina, todas surdas
aos nossos gritos : ontem é um abismo
onde pés deslizam e os rostos vão
cobertos de uma cal de cegar ao sol.
quem quer ontem hoje? e quem será
amanhã senão perdido no limiar do não?

                                       



                                                               a engenharia de eva

                                                                                      todos os rostos terminam em ossos
                                                                                      exôdo em massa, os seus olhos
                                                                                      batalha de flores, o sopro nos lábios
                                                                                      mármore e sol, pedra fundamental

                                                                                      seixos, se apertam; suaves, se duros
                                                                                      sombra de pêra, fluida luz de laranjas
                                                                                      término, régua de curvas do leite
                                                                                      seqüestro, os sentidos; sala e silêncio
                                                                                      todos, seus; um, dois, todos: perdidos.






chute no traseiro

cansado de pisar e de ser pisoteado
em meio às minhas aventuras
tive certa noite um pesadelo
pra acabar de vez com essas frescuras

era amor que me chutava no traseiro
rindo e apontando o meu tinteiro;
aguento flecha, choro, rilhar de dentes
mas isso eu te digo: não há quem aguente

“amor, filho da puta, que diabos?”
e o moleque nem aí, limpando as unhas
e o espaço entre os dentes

e com olhar pênsil de fodaz enfado
“não me amola, que bocejo,
vocês humanos vendem a alma por um beijo”. 







Dirceu Villa (São Paulo, 1975). Poeta, tradutor e ensaísta. Publicou os livros de poemas MCMXCVIII (1998), Descort (2003), Icterofagia (2008) e Transformador, poemas: 1998-2013 (2014). É tradutor de Um anarquista e outros contos, de Joseph Conrad (2009) e de Lustra, de Ezra Pound (2011). 


+ Dirceu Villa nos links: 

-  O Demônio Amarelo
modo de usar & co. 
escamandro 
enfermaria 6

martes, 2 de agosto de 2016

lunes, 18 de julio de 2016

Poema inédito do livro “As solas dos pés de meu avô”, de Tiago D. Oliveira


um

Atrás de mim, porém, numa rajada fria,
escuto o chocalhar dos ossos,
e um riso ressequido tangencia o rio
(T. S. Eliot)

é pelos pés de meu avô que entendo a vida
morto de cima de nove décadas esculpidas nas rachaduras
das solas duras naquele mesmo quarto de estreitos e sonhos
caminho nos cascos a figurar seu povo
na herança do sangue no olho
que o eco de sua voz ainda vive
é pelos pés do morto numa cama de pau
que vejo a luz do dia chegar
e o choro e a reza e a morrinha de paz que fica
meu pai chegou à capital menino de domingo a domingo
perdeu o que hoje não consegue mais lembrar
veio para tentar a vida e ficou: foram as primeiras frases
que li naquelas solas duras de pés juntos como os de quem reza
era o título de um texto que continuava – depois fui eu a partir para Lisboa
em busca da manilha e o libambo que idealizei
ecos em silêncio vindos de outra existência idas de 1800 ou não
ou de um call center atendendo às ligações e sendo mandando de volta
a cada três minutos recebendo ecos de outras partidas
quando meu pai veio para a capital tinha a metade de mim
a outra descobri quando retornei de Portugal
há mais ou menos quarenta anos ele chegava
após quatro eu voltei para o Brasil
as rachaduras nas solas duras de meu avô
escreveram estas palavras também
até chegar ao rio passamos por três cobras
não sabemos de onde é que o veneno espreita
tomam conta da estrada conhecem o caminho
provocam o medo e o desejo na fronte
a última vez que estive com o meu avô
cruzamos com as cobras e nos banhamos no rio:
esta poderia ser a epígrafe para qualquer sertanejo







Tiago D. Oliveira, de Salvador-BA, professor e pesquisador, estudou letras na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Nova de Lisboa (UNL). Tem poemas publicados em portais, revistas e jornais especializados como Cultverso, Cronópios, Hyperion (UFBA), Escamandro, Enfermaria 6 (Portugal), Subversa, Avenida Sul e Jornal Livre Opinião. Em 2014 teve seu primeiro livro editado de poesia, “Distraído”. Atualmente desenvolve pesquisas sobre a ética dos afetos em formas breves na literatura portuguesa.

jueves, 14 de julio de 2016

A Caminho de Axël - Lucas Perito


Que ele possa continuar a vencer 
Tiamat e abreviar seus dias”



Bem escuro no fundo da noite sem fim
Começo narrando
Às margens do tempo
Um navio por casa
E uma tartaruga ao lado
Entre altas marés
E aves submersas
Este é o lugar dos relógios quebrados
Dos homens de areia
Da fome dos náufragos
Dos livros de cabeceira
Do acúmulo das coisas
Enterradas em um deserto.
Edificam-se os passos perdidos,
Incertos, caminho ao largo da ilha
Assumo a proa
Junto as palavras, faço o elo
Detenham-me, sou tão belo”!

Era julho,
Não participou das alegrias de férias
Liderou uma turba de mortos
Sobre o azul do abismo
Mas o corpo não despertou

Do fundo da noite sem fim.




Lucas Perito nasceu em São Paulo em 1985. É graduado em Comunicação em Multimeios pela PUC-SP. Trabalhou na editora Empresa das Artes, escrevendo livros ligados a história e fotografia, fazendo os textos de acompanhamento para o livro fotográfico “Caminhos da Mantiqueira” (2011) de Galileu Garcia Junior. Tem alguns poemas publicados na Revista Zunái, Diversos Afins Benfazeja, na R. Nott Magazine, Caderno-Revista 7 Faces, Revista Parênteses e Revista Entreverbo. Também participou como tradutor na Revista Parênteses.

viernes, 8 de julio de 2016

LETRAS PARA MELODIAS CORPORAIS, de Tadeu Renato (Financiamento Coletivo)



Tadeu Renato, escritor, dramaturgo e um dos editores da Revista Saúva,
 está fazendo campanha de financiamento coletivo para a publicação do livro-objeto:
LETRAS PARA MELODIAS CORPORAIS:














miércoles, 6 de julio de 2016

LE-N-GUAS: Versos em portunhol por Andrea Carolina Yinah



No princípio era porto e virou precipício na queda punhal.

Me di cuenta que la miel de las abejas sostiene mis presas afiladas sin prisa.

Por que arrancar as ervas daninhas em cada breu de esquina?

Le hago un cariño a mis pies vencidos, para que ganen algo distinto.

Pela fresta da janela um lampejo de libélulas em gozo.

Porque me tienen aquí amordazada con rosas blancas?

Corto meus pés no rio – ainda tenho mãos.

En el aire visto mis manos con cenizas aveludadas.

Queria poder ecoar meu grito em cada cavidade do teu corpo.

Uivos que saltan como niños jugando.

De que me servem os pés quando desaparece a estrada?

De mi espalda salen alas de acero para rasgar.

Cansei dos cogumelos.

Me di cuenta que nada pasa en la tierra si el agua no sale del suelo.

Derramo no fundo da garganta a solução.

Con la sal limpio heridas antiguas que se inflamaron en nódulos.

Decapitada ou degolada por mim mesma sempre fui.

Declaro mi Alma aprisionada Libre.

Desfaço as tranças de sangue que a mulher violentada usou na festa.

El tiempo es como la mujer-luna que cambia cambia cambia.






Andrea Carolina Yinah, filha de chilenos radicados no Brasil, é fisioterapeuta de formação e atua como terapeuta vibracional e holística (acupuntura, reike, cromoterapia etc), além de se aventurar em projetos como "Corpo-Clown" em que alinha conhecimentos holísticos a jogos teatrais para crianças e adolescentes.