quinta-feira, 28 de maio de 2015

a saliva dos poemas de Ana Moraes



Aurora 3 


 teus olhos crus

saltitam sob minhas coxas

tua saliva corrói
meu paladar mudo
do beijo seu.
...
arrebento em suspiro,
e de tua carne
sangro... cada gota
de tua alma
deleite é deixar-te só









Coisas


as folhas, tão doces
molestam o ombro do vento
enquanto, este imoral,
como só ele é
arrebata os olhos do tempo

a pétala se abre
a janela
a porta
a coragem

tudo...

as frutas amadurecem
degoladas
nas cestas
forçosamente
prontas
para serem comidas

e a porta se abre
a boca
a gula
a fome

o beijo arrebata
a saliva expurga,
dentro do céu









Ana Moraes - uma mulher borboleta, casulo de seus sonhos, educadora, atriz, cursou a Faculdade de Filosofia, mas só conta isso para quem confia. Gosta de comprar discos pela capa, e prefere lua crescente a lua nova. Costuma dançar as vezes, e no frio louva deliciosos copos de leite quente com chocolate. Gosta de conversar com estranhos, mas não muito. Observa a sacola de compra das pessoas para tentar descobrir suas vidas e angústias. Ana Moraes é uma mulher comum e diz pra todo mundo que faz poesia.




Um comentário:

Vivian de Moraes disse...

que legal, ana! parabéns, gata rebelde! kkkkkkk!