quinta-feira, 28 de maio de 2015

dois poemas de Leandro Alva




Barquinhos de papel

A intenção de justificar naufrágios por meio da filosofia
é um consolo equívoco;
arquivar o fracasso
ver o que opinam Platão ou Schopenhauer,
rastrear esboços biográficos
de artistas ímpares
para comprovar suas angústias
e dizer:
com Tchaikovsky também aconteceu...
Nada disso serve,
na noite do ateísmo fatigado,
sabemos que não somos eles,
que não temos nada em comum,
exceto esse fracasso
tão impessoal
quanto a fauna
de um centro cirúrgico.


Barquitos de papel

El intento de justificar naufragios mediante la filosofía
es un consuelo equívoco;
archivar el fracaso
ver qué opinan Platón o Schopenhauer,
rastrear esbozos biográficos
de artistas impares
para comprobar sus angustias
y decirnos:
a Tchaikovsky también le pasó...
Nada de eso sirve,
en la noche del ateísmo fatigado
sabemos que no somos ellos,
que no tenemos nada en común
excepto ese fracaso
tan impersonal
como la fauna
de un quirófano.




Catódico Apostólico

Na tevê
há uma mulher com as mãos enfaixadas.
Nas faixas
há manchas de sangue;
ela disse que tem
os estigmas de Jesus Cristo,
e em seu povoado
a veneram como se fosse uma santa.

Mudo de canal;
uma jiboia engole um animal irreconhecível,
um bocado grande demais.
Então, meu espanto
busca outra vez
as mãos ensanguentadas
mas encontra o cu de uma modelo.

Animais
vorazes como cus
e estigmas sem calvário
desfilam em direção ao penhasco.
Não encontro o controle remoto.




Catódico Apostólico


En la tele
hay una mujer con las manos vendadas.
En las vendas
hay manchas de sangre;
ella dice que tiene
los estigmas de Jesucristo,
y en su pueblo
la veneran como si fuera una santa.

Cambio de canal;
una boa se traga un animal indiscernible,
un bocado demasiado grande.
Entonces, mi espanto
busca otra vez
las manos sangrantes
pero se topa con el culo de una modelo.

Animales
voraces como culos
y estigmas sin calvario
desfilan hacia el acantilado.
No encuentro el control remoto.



(tradução: Marcus Groza)



Leandro Alva nasceu em Temperley, Buenos Aires. É autor do livro Tundra (2011) e participou de varias antologias poéticas. Foi convidado a participar de festivais de poesia no México, Costa Rica e Espanha. Estudou Letras na Universidade de Lomas de Zamora e na Universidade Carolina de Praga.


Leandro Alva nació en Temperley, Buenos Aires. Editó un libro, Tundra, en 2011 y participó de varias antologías. Fue invitado a festivales de poesía en México, Costa Rica y España. Estudió Letras en la Universidad de Lomas de Zamora y en la Universidad Carolina de Praga.



Nenhum comentário: