terça-feira, 30 de junho de 2015

Poemas de Flor Defelippe


Foto_ Priscila Kundal





Nunca soube como cruzar o terreno baldio



Nunca soube como cruzar o terreno baldio,
nem atravessar de skate as ruas de terra,
nem fazer chistes visionários e precisos.
Porém subia nas árvores
e nos postes de luz
com a habilidade de um chimpanzé.
Podia ver, então, a projeção diminuta de:


a casa os primos o dorso de um cão


O vento lá em cima era outro e o silêncio
me pertencia como
poucas coisas podem pertencer na vida.


Depois estava a vertigem e esse marear
de redes,
quando se jogam as pernas
como serpentinas para o céu
em um primeiro instinto de sobrevivência.



Nunca supe cómo cruzar el terreno baldío



Nunca supe cómo cruzar el terreno baldío,
ni atravesar en skate las calles de tierra,
ni hacer chistes visionarios y precisos.
Pero me trepaba a los árboles
y a los postes de luz
con la habilidad de un chimpancé.
Podía ver, entonces, la proyección diminuta de:


la casa los primos el lomo de un perro


el viento allá arriba era otro y el silencio
me pertenecía como
pocas cosas pueden pertenecer en la vida.


Después estaba el vértigo, y ese mareo
de hamacas,
cuando se arrojan las piernas
como serpentinas al cielo
en un primer instinto de supervivencia.





Bexigas



Escalo o tempo
como uma tarântula...
a casa, o barro…
tantas coisas por trás.
As redes, os postes de luz
o salgueiro cortado
o ruído das bexigas
a palavra c a r n a v a l...
Observo por instantes
algumas fotos
idealizando mortos.
O que não está se torna sublime,
e o que está
                apodrece.



Bombuchas



Trepo el tiempo
como una tarántula...
la casa, el barro...
tantas cosas detrás.
Las hamacas, los postes de luz
el sauce cortado
el ruido a bombuchas
la palabra c a r n a v a l...
Miro por fracciones
algunas fotos
idealizando muertos.
Lo que no está se vuelve sublime,
y lo que está,
                se pudre.






As más escolhas


Tenho tudo o que falta para
montar com suas mãos
uma trama perfeita e esticar os dedos
como uma grinalda

Meu terraço ao entardecer
ou um céu frio, como uma estação


Ao longe, em alguma das fotos mentais
que guardamos
está intacta a tenaz sensação de saber
que é verdade
que há um tempo que não se conjuga
com o tempo linear e se abre, ao contrário,
em meio a um corte
transversal


Viu como é?
Alguma vez você viu como é
deixar tudo para o final,
deixar tudo
para quando já
é tarde demais
para pensar de outro modo
que não seja este, em meu terraço,
ou esperando em alguma estação noturna?


Estamos sós
e, em solidão, nos espreitam,
feitas pó,
as recordações que nunca tivemos.

As más escolhas que fazem
os que jamais fazem escolhas.





Las malas elecciones



Tengo todo lo que hace falta para
armar con tus manos
una trama perfecta y estirar los dedos
como una guirnalda


Mi terraza al atardecer
o un cielo frío, como una estación


Lejos, en alguna de las fotos mentales
que guardamos
está intacta la tenaz sensación de saber
que es verdad
que hay un tiempo que no se conjuga
con el tiempo lineal y se abre, en cambio,
en medio de un corte
transversal


¿viste cómo es?
¿alguna vez viste cómo es
dejar todo para el final,
dejar todo
para cuando ya
es demasiado tarde
para pensarte de otro modo
que no sea este, en mi terraza,
o esperando en alguna estación nocturna?

Estamos solos
y en soledad, acechan,
hechos polvo,
los recuerdos que no tuvimos jamás.


Las malas elecciones que toman
los que jamás toman elecciones.


(Trad.: Marcus Groza)

Flor Defelippe (1982) é formada em Letras pela Universidade de Buenos Aires. Publicou “Parrhesia poesia”(2009) e “Las malas elecciones” (2014). Atualmente, dá aulas de literatura e escreve críticas para diversas revistas virtuais.


Flor Defelippe (1982) es licenciada en Letras por la Universidad de Buenos Aires. Publicó "Parrhesia poesía" (2009) y "Las malas elecciones" (2014). Actualmente, da clases de literatura y escribe crítica para diferentes revistas virtuales. 

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