sábado, 4 de julho de 2015

Fotografias e poemas por Raquel Gaio




o corpo de sua voz
entrando como um susto afiado na minha garganta
resgatando a gravidade do meu sangue
possuindo como refém a minha fome.

como se resgatar dessa emergência

que come esse vermelho crespo e pontiagudo do nosso excesso?
(e que se engasga num lugar onde nunca estivemos?)

uma poça de ferragens e nosso acidente lá fora

nos vigia sob o eterno evaporar de nossas promessas.

cárcere que nos golpeia a esmo

vela nossos corpos que urram de tanta memória
luxo sem paz.

sua voz no meu mamilo em excesso.

um agridoce continente que fermenta essa falange.







para que seu braço germine
é necessário regar cada buraco jovem seu
e plantar terra fofa no seu antebraço.
os velhos fingem terem sido cicatrizados. já incorporaram a dissimulação.

alugar um trator para demolir a montanha de desastre já em formação
- submersa em seus buracos-
e enterrá-la dentro do meu ventre.
adubo compatível com a espera.

quanto de desastre você inaugura durante a semana?
qual é a velocidade da formação do seu planalto?

há uma água que escorre a cada tentativa de vida sua 
e um mato que cresce incansavelmente nas bordas da cadeira onde espero.
uma ampulheta na quina da cômoda marca/registra o tempo que seu buraco permanece aberto.

no final do(s) dia(s), sem que descaradamente você perceba, 
são minhas mãos e rosto que estão sujos pela terra fofa.
sou eu que germino nessa montanha de espera(s).







Raquel Gaio gosta de palavras sujas ou que se sujem. as ruínas e os desertos por terem tanta vida. acredita no corpo, na sua grande narrativa poética. tenta performar imagens que nascem incessantemente dentro dela. compõe em: www.sensacaodevioleta.blogspot.com

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