quarta-feira, 22 de julho de 2015

Poemas de Matheus Torres






claraboia inversa

talvez fosse no cu
– o olho espreitando o cu –
onde encontraria a resposta.
como quem maneja lunetas,
vãos e o buraco da fechadura,
encostaria um olho à orla do cu
e buscaria
como se a alma se sedimentasse
nalgum lugar ali
à beira do cu.
pelo cu,
claraboia inversa,
encontraria em mim
– imagem e semelhança –
a potência divina.
espreitando o cu,
eu queria saber da essência de deus
como quem procura a alma das pedras.



*


na tentativa
de forjar qualquer poema
uma tentativa ainda maior
de se perder
de ser tempestade
em nossos próprios navios de papel.
naufragar é preciso.



***



e se o ovo se quebrar
e a casca de uma
noz rachar? e se
no cerne de uma fruta negra
ou de ti mesmo
- rascunho de um deus -
o mistério de todas as coisas se revelar
cavalo fugitivo?



*



meu nome real
é qualquer coisa
que o mar deposita
na boca da areia.
sou
não o corpo que nada
mas a imensidão
que desconhecem
todos os peixes.



Matheus Torres, 22, é poeta e graduando em Letras pela Universidade Federal de São Carlos. Nascido em Piracicaba, reside em São Carlos desde 2011. "Arquitetura do cais", publicado pelo Selo LOID, é seu primeiro livro e pode ser baixado aqui.


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