domingo, 23 de agosto de 2015

Poemas da escritora chilena Silvia Cuevas Morales





Abrir las ventanas.
Dejar que las cortinas
dancen en la brisa matutina.
Deshacer las maletas,
limpiar los escombros,
desechar los rencores,
rehacerse paso a paso,
comenzar desde cero.
Dejar de mirarse en espejos ajenos,
darle una nueva oportunidad a la ternura.
Y por fin,
de una patada certera,
cerrar la puerta al pasado.



Abrir as janelas.
Deixar que as cortinas
dancem na brisa matutina.
Desfazer as malas,
limpar os escombros,
se livrar dos rancores,
e se refazer, passo a passo,
começar do zero.
Deixar de se olhar em espelhos alheios,
dar uma nova oportunidade à ternura.
E por fim,
com um chute certeiro,
bater a porta na cara do passado.







Un día te despiertas
- y con algo de cautela -
comienzas a quitarte
los insultos de encima,
como trozos de corteza.

Te vas quitando la ansiedad
como finas gasas de seda.

Te arrancas el menosprecio
que se fue incrustando en tus venas.

Te enfrentas al espejo
como si fuera la vez primera.

Vistes tu cuerpo con capas de ternura
y perdonas.

No queda tiempo
para arrojar piedras.



Um dia você desperta
- e com alguma cautela –
começa a jogar fora
os insultos que tinha encima
como pedaços de pele velha.

Vai se desfazendo da ansiedade
como finas gazes de seda.

Arranca o menosprezo
que foi se incrustando em suas veias.

Enfrenta ao espelho
como se fosse a vez primeira.

Veste seu corpo com camadas de ternura
e perdoa.

Não sobra tempo
para atirar pedras.






Te has introducido en mi equipaje
Agazapado entre mi ropa
Confiscado mi pasaporte
Retenido mis papeles

De una ciudad a otra
mi sombra has acosado

Indetectable en las aduanas
Invisible en las colas
Como una sombra al acecho
en las fotos has posado
Nadie te ha visto
pero allí has estado

Intrusa entre mis sábanas
Ladrona de mi calma
Usurpadora de mi espacio
has cruzado las fronteras
disfrazada 
de contrabando.



Se camuflou em minha mala
Se escondeu em minhas roupas
confiscou meu passaporte
apreendeu meus documentos

De uma cidade a outra
minha sombra você acossou

Indetectável nas aduanas
Invisível nas filas
Como uma mancha na espreita
nas fotos você posa
ninguém te viu
mas ali estava

Intrusa em meus lençóis
Ladra de minha calma
Usurpadora de meu espaço
cruzou as fronteiras
disfarçada
de contrabando.


Trad. Ellen Maria Vasconcellos





Silvia Cuevas Morales nació en Santiago de Chile, en 1962. Tras el Golpe de Estado de Pinochet, se mudó con su familia a Australia, el único país donde les concedieron la vida. Sus primeros poemas fueron publicados cuando tenía diecisiete años. Fue profesora, locutora de radio, periodista. A finales de los noventa, decidió mudar se a Madrid, donde hasta hoy vive. Se dedica a la poesía, la traducción y a la lucha feminista. Algunas de sus obras: “Al filo de la memoria”, “Poliamora”, “Pienso, luego estorbo”, “Diccionario de centenarias ilustres” y “Amor y sombra”.




Silvia Cuevas Morales nasceu em Santiago de Chile, em 1962. Com o Golpe de Estado de Pinochet, se mudou com sua família a Austrália, único país onde lhe concederam o visto. Seus primeiros poemas foram publicados quando tinha dezessete anos. Foi professora, locutora de rádio, jornalista. No fim dos anos noventa, decidiu se mudar a Madri, onde até hoje vive. Dedica-se à poesía, à traducción e à luta feminista. Algumas de suas obras: “Al filo de la memoria”, “Poliamora”, “Pienso, luego estorbo”, “Diccionario de centenarias ilustres” e “Amor y sombra”.

Nenhum comentário: