segunda-feira, 5 de outubro de 2015

7 Movimentos entre as gôndolas do supermercado, de Gabriela Clara Pignataro |Fragmentos|


I-I

Tantos
descobrindo a pólvora
                       fogo de artifício sobre as casas
                       estrondo
outros
acendendo faróis
                       a luz que ilumina os passos
                       o que se revela com força
                       não tem ruído
o milagre é interno
mostrar o estigma
é
demagogia
- não explique sua alma
posso cheirá-la
como a menta fresca
na língua
enquanto a pedrinha de gelo
derrete


I-II

Alguns
disfarçando a ironia
em novas formas
inteligência reacionária
vazia

Sua verdade
minha verdade
a verdade forçada
é um bebê anão
cambaleando
em uma câmara de Gesell


inclinada

nosso cubículo
de sentenças
dinamita o olhar
depois
de amanhã

Atirar
a pedra longe
não destrói
a neblina:
a atravessa
e se perde

permanecemos


ainda cegos
levantando poeira
vestindo fantasmas
com trajes minerais
construindo fortes
na fronteira dos medos

Somos feitos
da mesma matéria
da qual queremos
desfazer-nos
o movimento
é mudança de densidades
em um corpo saudável
depois
de compreender
a estrutura
atômica do veneno


II

Sou erro
a falha no jaleco
a agulha o fio
a pinça
que ajusta o vestido
à borda mutante
que se regenera
e conserta:

a única dor inútil

é a tristeza estéril
a pólvora molhada
de uma imagem acessória
presa com alfinete
à imediatez da novidade
que não respira
depois do seu quarto
de hora

O resto
às vezes involuntário
espasmo
é tração que gira
a mudança das colheitas
quando chega o equinócio
de maior potência

então
o erro que irrompeu
a linha contínua
introduzo
o gume da verdade
com que corto
a gelatina
que me separa
do mundo



IV

Você descobriu a pólvora
que bom
lhe entrego o prêmio
espero que saiba
fazer fogo
bem no centro do rio

Precisamos de brânquias
uma verdade violenta
uma concha vazia
sobre a praia
para reconhecer o corpo
fazendo sombra
na relva
deixando marcas
mais potentes
que o dogma transparente
da indolência

que a espessura
possa flutuar
sobreviver
enquanto os terraços
fiquem
debaixo d’água

um planeta
sobrecarregado
em sua circularidade
uma raça melancólica
que aparentemente
tem saudade do mar
a origem de sua vida

ou uma multidão idiota
capaz de destruí-lo
todo



VI

A duração não é
o ermo preciso
da extensão
de um momento

Toda uma tarde foi
a chama do fogareiro
fervendo água
de novo e de novo

Toda a educação foi
um inverno
olhando minha avó
escolher as folhas verdes
entre a pastagem seca

Todo o amor foi
levar você
a um lugar do bairro
onde nunca
tinham me visto
debaixo da sombra branca
de um jasmim
cruzamos a fronteira
nunca mais
nos falamos

Toda a calma foi
receber o impacto
esperar
limpar o cruzamento
da roupa
olhar os restos
reconhecê-los
e enterrá-los:
não há manto santo
que cubra os atos
para sempre

Há uma vereda triste
uma esquina de ladrilhos
onde me mataram
há uma casa
com janelas abertas
onde ninguém mais
escuta os domingos ao lado
há um ângulo do teto
onde se junta o sol
e se faz um ninho
que reúne as aranhas
e as torna mansos cristais
tecendo trama irrevelada

A vida é um animal selvagem
movendo-se às cegas
na direção correta



Trad. Marcus Groza





Fragmentos de: 7 Movimientos en las góndolas del supermercado |Fragmentos|



I-I

Tantos
descubriendo la pólvora
                              fuego de artificio sobre las casas
                              estruendo
otros
encendiendo faroles
                             la luz que ilumina los pasos
                             lo que se revela fuerte
                             no tiene sonido

el milagro es interno
mostrar el estigma
es
demagogia
-no expliques tu alma
puedo olerla
como la menta fresca
en la lengua
cuando el cubito
se deshiela- 


I-II 

Algunos
disfrazando la ironía
en nuevas formas
inteligencia reaccionaria
vacía

Tu verdad
mi verdad
la verdad forzada
es un bebé enano
tambaleando
en una cámara gesell

inclinada,

nuestro cubículo
de sentencias
dinamita la mirada
después
de mañana


Arrojar
la piedra lejos
no destruye
la neblina:
la atraviesa
y se pierde,

permanecemos

igual de ciegos
levantando polvo
vistiendo fantasmas
con trajes minerales
haciéndose fuertes
en la frontera
de los miedos

Estamos hechos
de la misma materia
de la queremos
deshacernos
el movimiento es
cambio de densidades
en un cuerpo sano
después
de comprender
la estructura
atómica del veneno


II

Soy error
la falla del chaleco
la aguja, el hilo
la pinza
que ajusta el vestido
al borde mutante
que se regenera
y acierta:

el único dolor inútil

es la tristeza ésteril
la pólvora mojada
de una imagen accesoria
prendida como alfiler
a la inmediatez
de la novedad
que no respira
pasado su cuarto
de hora

El resto,
a veces involuntario
espasmo
es tracción que gira
la muda de cosechas
al equinoccio
de mayor potencia

Entonces
el error que irrumpió
la línea continua
introdujo
el filo de la verdad
con que corto
la gelatina
que me separa
del mundo


IV

Descubriste la pólvora
que bien,
te entrego el premio
ojala sepas,
hacer fuego
en el centro del río

Necesitamos branquias
una verdad violenta
una caparazón vacía
sobre la playa
para reconocer el cuerpo
haciendo sombra
en el pasto
dejando marcas
más potentes
que el dogma transparente
de la indolencia,
que la espesura
pueda flotar
sobrevivir
mientras las terrazas
quedan bajo agua

Un planeta
sobreexigido
en su circularidad
una raza melancólica
que al parecer
extraña el mar,
el origen de su vida

o una multitud idiota
capaz de destruirlo
todo.


VI

La duración no es
páramo preciso
de la extensión
de un momento

Toda una tarde fué
la llama del anafe
hirviendo el agua
una y otra vez

Toda la educación fué
un invierno
mirando a mi abuela
elegir las hojas verdes
entre las matas secas

Todo el amor fué
llevarte
a un lugar del barrio
donde nunca
me habían mirado,
bajo la sombra blanca
de un jazmín del país
cruzamos la frontera,
no volvimos
a hablarnos.

Toda la calma fué
recibir el impacto
esperar
limpiar las cruces
de la ropa
mirar los restos
reconocerlos
y enterrarlos:
no hay manto santo
que cubra los actos
para siempre

Hay una vereda triste,
una esquina de ladrillos
donde me mataron,
hay una casa
con las ventanas abiertas
donde ya nadie escucha
los domingos de al lado,
hay un ángulo del techo
dónde se junta el sol
y se hace un nido
que junta a las arañas
las vuelve mansos cristales
tejiendo trama irrevelada

La vida es un animal salvaje
moviéndose a ciegas,
en la dirección correcta.







Gabriela Clara Pignataro nasceu em Floresta, Buenos Aires; escreve, é atriz e fotógrafa. Publicou La última oleada se llevó todo menos esto (Editorial Subpoesía 2013), Eso que no se parte es una respuesta (Difusión Alterna 2014), Muta (Nulu Bonsai 2014). Atualmente, trabalha no projeto "La belleza random de los días" de investigação fotográfica analógica e em seu primeiro romance. Escreve resenhas, poemas e ensaios em lasalvajelucidez.tumblr.com e principalmente observa e respira

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