sábado, 20 de fevereiro de 2016

Lírico Deslocado - Dois poemas de Thiago José Diogo


Barman

Um baile de brasas que vagam no ar
a gente toma um trago de conhaque 
e fica besta
desbaratina a prosa
e presta a atenção no entorno

no contorno dos objetos que pululam 
nas vozes entremeadas de zumbidos
no colorido de vestidos 
e mistura tudo num drink 
num funk sampleado

sou um barmam de momento
bebo o conteúdo das formas
que povoam o real imaginário
arrisco as doses 
chacoalho a caneca de alumínio
diluo o limão na aguardente 

    perco 
   cabeça
no 
    balcão 
da         
            garçonete 
simpática

mergulho frágil 
fogo fátuo 
batida de coco




Las calles

adoro o centro de Taubaté
na rua Jacquex Felix, as meninas são mais coloridas:
canetinhas, giz de cera, lápis de cor, papel crepon
transitam em taiês, saltos e sandálias
sorrisos recém saídos de um plano odontológico a prestação
na visconde do Rio Branco, as saias voam mais alto
rua abaixo, rua acima, o vento sopra a favor dos olhos
desaguando na praça Dom Epaminondas um tilintar
de musas, mousses, moças movediças
carrinhos de bate-bate de parque de diversão

abro as janelas de parapeito
debruço as moças nas calçadas
nas lojas de vitrine, elas dobram panos
e acumulam pensamentos
flaneiam vestidos de fim de tarde

Chiquinha de Matos, diz a placa,
flagro beijos na bochecha

de um moleque premiado






Thiago José Diogo trabalhou uns anos numa fundação de cultura, deu aula em algumas escolas, estudou letras, jogou bolinha de gude e futebol de rua. Trabalha no comércio ilegal de rebimbocas da parafuseta e batuca com os amigos quando pode. 

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