terça-feira, 15 de março de 2016

Desenhos e escritos de Liv Lagerblad





quando se espreme uma esponja suja 
em cima de um papel, ela:

1. mancha as folhas
2. fica mais leve
3. libera um líquido asqueroso
4. continua parcialmente úmida










A pele é contágio.
Um dia eu quis lhe mostrar isso
dizer que meus poros te absorvem o
suor quando a pele é contágio
Fomos caminhando aquela tarde
um telefone tocou e a mulher
que me acompanhava segurou meu pulso
Eu tinha o telefone nas
mãos vibrante e ensandecido e
suei frio ao atender
na última cena da peça. Interrompi
a peça e você me ligava
te aguardo em frente a floricultura
você sorria em frente a floricultura
e todas aquelas flores pareciam tão tristes
pra mim que chegava lívida
em carne viva, eu-mucosa
mas ainda tropeçando nas coisas
tristes como aquelas flores
que te emolduravam sorrindo
 não sei quando decidi por entrar na livraria e
 olhar de esguelha pras caixas
que ladeavam a entrada
qualquer coisa pra desviar dos seus olhos.

Olha: eu carregava espremido na mão
um pedaço de flor com terra
Eu carregava aquilo comprimido na palma
a mão começava a suar
você me olhava.
Eu pensei na osmose entre minha mão e a pétala
a terra se mixava ao meu sangue
não posso dizer quanto nojo sinto de você agora
mais que isso só mesmo...
elas trespassavam a derme e éramos uma.












Liv Lagerblad é poeta e artista plástica, tem um livro publicado pela Coleção Kraft (Editora Cozinha Experimental). Cursa graduação em artes visuais com especialização em escultura na UFRJ. Colabora nos coletivos Disk Musa e Oficina Experimental de Poesia, Rio de Janeiro.





"...quisera eu fazer poesias mais solares,  infelizmente é tempo de poemas duros,
mas tenho pensado em algum dia  escrever poemas alegres. 
quando passarem as tempestades..."


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