quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dois poemas de Beatriz Rodder




O médico existe no laudo Semblantes nos fios do rosto Invento mãos dadas Não encontro pulso Troco pouso por ventos Prédios cardíacos Não durmo Em tédio Concordo dormir Acordo Giro o lápis pra quebrar Aponto muito de raiva Escrevo pouco A ponte se sente rio Não escolheu Servir de ida ao outro lado O pombo não encontra o prédio O rato encontra o mundo desiste do eixo Eu insisto no médico Me sento O lápis cobra palavras




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Não tem nome a fonte Já não tinha Agora sabemos que o aumento do volume de luz é resultado do silêncio do túnel Tenho um girassol chamado Jérôme Ele mora fora do túnel Eu moro dentro do girassol quando quero Não tem nome o amor agora sei que posso amarelar e florir ao mesmo tempo Tenho um vaso chamado nada Nele cabe eu a fonte o túnel a terra E Jérôme sendo luz





(Eu
Menos que mil
Só três
Eu-Deus-outro)

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