sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Poemas de Macaio Poetônio

INFÂNCIA

no precipício dos sonhos
onde começa o corpo
secam as lágrimas de sangue
exasperadas

enquanto os bonecos cozinham
mais pesadelos
a memória dos caminhos antigos
são penumbras extintas
para os olhos

mas a felicidade
escondida
atrás dos rabos de elefantes viris
abre as bananas na mesa
esperando pelo meu amor




VIDA

a fumaça chorando
pelos olhos do escapamento
fragmentos de passado

memórias devastadas
meus órgãos rolando
pela estrada de casa

morada antiga
iluminada pelos cometas
a rota dos ventos

hoje a carne retorna
ao seu anterior abrigo
esperada promessa

união eterna
sagrada fusão de sangue e concreto



42

desprender-se. imperativo. fogo retorcido ao ar. vício de facas. (vagas as lembranças vagos os movimentos) grito desapercebido dos dedos. são saudades de insetos. dança ingênua da garganta. líquido esfumaçado do desejo. são os canos cantando no estômago.



VOZ

quando tenho olhos de poemas
e ausente
babando cores do umbigo


as unhas
bailarinas do meu corpo
gritam




Macaio Poetônio nasceu em 1990 na Paulicéia, sob o signo do centauro, filho de Mário, Murilo e Roberto. É um dos fundadores do portal de literatura Poesia Primata (www.poesiaprimata.com) e da  Editora Primata, nos quais exerce as funções de editor e diagramador. Por meio da última, publicou as plaquetes Noturno (2014) e seu cadáver estava repleto de mundo (2015), e o livro Os bares do Estado, a ser lançado em dezembro de 2016.

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