terça-feira, 31 de julho de 2018

Dois poemas de Gabriel Cortilho




Autocriação


no contato
com a palavra,

não se alfabetiza
somente a escrita

para a leitura
do mundo

dá-se,
ao sujeito,
a possibilidade
de tecer

a singularidade
do próprio percurso:

ao descobrir as janelas
o corpo esquece os muros








Esquizoafetivo



escrevo, ambíguo, numa cidade deserta
transito entre cárceres, loucos, suicidas;
abrigo o manicômio da Agonia Perpétua
conheço a lágrima sulfúrica & depressiva

os psiquiatras não ouvem o grito da Alma
lançam química turva em cérebros aflitos
preocupam-se com as sinapses humanas
esquecem que nos habitam os labirintos,
velhos caminhos tortuosos para caminhar

sob o ocaso, ouço a sinfonia dos mortos:
somos feitos da mesma penúria secular








Gabriel Cortilho (1992- ) é poeta, professor de História e mestrando em educação. Escreve mensalmente em seu blog de poesia no Jornal GGN e na plataforma literária Liberoamérica. Tem poemas divulgados pelas revistas Gueto; O Poema do Poeta; Mallarmargens; Ruído Manifesto; Escrita 47 (Guatá- Cultura em Movimento) e organiza seus escritos no formato de livretos, sendo eles: Atemporal/Cronológico (2014), Transitório (2015), A Transa dos Besouros Verdes (2016), O Poema e a Cachaça (2017), Javali Radioativo (2017), A Carne e o Licor de Moscas (2017), Os Fios Esquecidos Pelos Olhos (2017), O Poema Entre as Ruínas(2018).

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